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Empresas que ainda “quebram pedras”

Por Roberto Mangraviti

Publicado em 20 de junho de 2017

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O que vale mais, 200 toneladas de rocha ou 4 toneladas de lixo ?
Claro que a resposta depende de muitas variáveis e contextos econômicos, que vão se transformando ao longo da história da humanidade.

Que tipo de resíduos produziam os egípcios há 2.500? E hoje em dia ?
Fica difícil imaginarmos que tipo de sobras de “produção” daquela época foram geradas, porque sequer sabemos como foram feitas as pirâmides com exatidão.

Mas, certamente, para produzirem aquelas maravilhas da humanidade, tiveram que remover muita pedra, gerando resíduos que não foram utilizados.

Ou seja, pedra era algo de muito valor ... e mesmo nos dias de hoje ainda é, para uma mineradora, por exemplo.
Certamente 200 toneladas de rocha é uma oportunidade sem tamanho para fazer dinheiro. Será ?
Talvez menos do que se imagina ...

A mineradora belga Umicore, mudou seu foco de ação e passou a ser uma “mineradora urbana”, e se deu muito bem.
Pois, para extrair 1 Kg de ouro é necessário processar 200 toneladas de rocha e isto é extremamente trabalhoso, e cada vez mais dispendioso.

Assim a citada empresa, obtém nos dias de hoje, o mesmo “quilinho” de ouro remexendo 4 toneladas de lixo eletrônico, com um custo ambiental e econômico muito menor.

Ai está claramente uma percepção de oportunidade muito bem aproveitada.

A missão da empresa não mudou, mas a “forma” de atingir os resultados é que foi ajustado, inserindo a sustentabilidade como visão estratégica.

Por vezes nos esquecemos que transformações culturais nas empresas levam anos para serem solidificadas e tomamos decisões (ou deixamos de tomá-las) aconselhados pelos piores inimigos, entre outros, o imediatismo e o comodismo.
Estas mudanças as vezes emperram justamente pela acomodação das coisas e pouca percepção dos riscos envolvidos.
Como um exemplo relativamente recente, vale relembrar, da rapidez que as máquinas de fotocópias, foram substituídas pelas impressoras.

Não era visível que o benefício que as máquinas de fotocópia produziam, era muito maior do que “copiar” um documento, mas a eliminação de serviços internos.

Desta forma, a “mudança de rumo” ocorreu fora da empresa Xerox e do mercado onde ela se encontrava, mas dentro de outras organizações, atraídas por estas oportunidades e que passaram a produzir impressoras.

Em algumas organizações, essas mudanças ocorrem no coração da empresa, que se reinventa, como na extração de ouro, dificultando assim a entrada de novos concorrentes.
Philip Kotler destaca que “as mudanças de comportamento, e portanto, o impacto positivo, dificilmente ocorrem da noite para o dia”.

Mas infelizmente, em muitos casos, aquele conselheiro inimigo que atende sobre a alcunha de “Imediatismo”, senta-se na poltrona do Conselho Consultivo de uma empresa e passa a dar mais “pitacos” que o próprio Presidente da organização.
Este nefasto personagem por vezes está acompanhado de outros “Conselheiros” não menos inimigo, sendo um deles o

“Comodismo”, que lança nas reuniões aquela visão focada simplesmente no presente blasfemando ... “este não é o nosso negócio”!

O negócio é o mesmo, o que mudou foi o “jeito” de fazer o negócio.
Vale então utilizar o seguro pragmatismo de Peter Drucker, que ensinou-nos a gerenciar performance, através da expressão

“Desempenho significa concentrar recursos disponíveis onde estão os resultados”, sendo que resultado não se encontra somente no mercado em que se atua, mas nas interfaces e alternativas existentes.

E foi exatamente o que fez a mineradora belga ao substituir rocha por lixo, como insumo básico da operação.

Literalmente, quebrar pedras nas Empresas, é coisa do passado ...

 

Roberto Mangraviti

Economista, Consultor de Sustentabilidade da ADASP-Associação dos Distribuidores e Atacadistas do Estado de São Paulo, Editor do Portal Sustentahabilidade.com, Diretor e Apresentador do Programa ADASP-SustentaHabilidade pela WEBTV. Outros artigos de Roberto Mangraviti



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